A Despedida de Cristiano Ronaldo: O Fim de Uma Era em Copas
Eliminado pela Espanha nas oitavas de final, o craque português encerra sua trajetória em Mundiais com números que ninguém antes havia alcançado — e uma última imagem que ficará gravada.
Eliminado pela Espanha nas oitavas de final, o craque português encerra sua trajetória em Mundiais com números que ninguém antes havia alcançado — e uma última imagem que ficará gravada.

Nunca uma imagem resumiu tanto uma carreira. Cristiano Ronaldo, aos 41 anos, joelhos no gramado, mãos no rosto, chorando diante de uma torcida portuguesa que aplaudia de pé. Foi assim que terminou, contra a Espanha, sua quinta e última Copa do Mundo.
O placar — 1 a 0 para os espanhóis, em jogo decidido nos acréscimos — dói menos do que a certeza de que aquele era o fim. Ronaldo balançou a cabeça, olhou para o céu e caminhou lentamente até o círculo central, onde permaneceu ajoelhado por quase um minuto. O árbitro esperou. Os companheiros também.
Sua trajetória em Copas é uma das mais longas da história moderna: 2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026. Seis edições, das quais disputou cinco em campo (foi cortado em 2022 antes de retornar). Ao todo, foram 27 jogos, 11 gols e 2 assistências — recorde de partidas disputadas por um jogador europeu em Mundiais. O único a marcar em seis Copas diferentes.
O ápice individual veio em 2018, na Rússia, com o hat-trick contra a Espanha em Sochi que entrou para a antologia do torneio. O ápice coletivo, contudo, nunca chegou: Portugal jamais passou das quartas de final com ele em campo. Foi eliminado por Alemanha, França, Uruguai, Marrocos e agora Espanha.
"Dei tudo o que tinha por este país. Se não fui campeão do mundo, foi porque o futebol quis assim", disse Ronaldo em entrevista após o jogo, ainda com os olhos vermelhos. "Mas não sinto arrependimento. Sinto orgulho."
Fora das Copas, seus números seguem estratosféricos: mais de 900 gols na carreira, cinco Bolas de Ouro, cinco Ligas dos Campeões, campeão da Eurocopa de 2016 e da Liga das Nações de 2019 e 2025 pela seleção. Mas o Mundial ficou para trás — e é isso que hoje pesa mais.
A CBS Sports registrou uma imagem que já corre o mundo: Lamine Yamal, jovem estrela espanhola, se aproximando de Ronaldo ainda no gramado, ajoelhando-se ao seu lado e o abraçando por longos segundos. "Você é a razão pela qual eu joguei bola", teria dito o adolescente. Ronaldo respondeu com um beijo na cabeça.
Ficam os números, ficam as noites eternas, fica o exemplo de longevidade absoluta. E fica também a lição — dura, humana — de que nem tudo o que se quer se conquista. Mas se despedir aplaudido pelo estádio inteiro, mesmo derrotado, talvez seja a forma mais elegante de encerrar uma era.
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Domínio no meio-campo, expulsão de Enzo Fernández, gol anulado de Merino e um escanteio ensaiado no fim: os detalhes da final que devolveu a taça à Espanha.

Messi e Mbappé tiveram números ofensivos superiores. Bellingham brilhou. Mas o prêmio da FIFA reconheceu o jogador que mais impactou o torneio.

Harry Kane comandou o ataque inglês com dois gols e uma assistência em confronto marcado por reviravoltas, defesas frágeis e um final dramático.